Bailarina pernambucana faz carreira internacional
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  • Aurora Dickie | FOTO: Carlos Quezado
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Aurora Dickie começou no Recife sua história na dança e hoje é solista do Ballet Estatal de Berlim

“Tive sorte de nascer em uma família artística. Então, dançar era uma coisa natural para mim. Antes mesmo de saber andar eu já frequentava a escola de balé da minha mãe”. É assim, através das palavras de Aurora Dickie, que começamos a contar a história dessa bailarina recifense, hoje solista do Ballet Estatal de Berlim, na Alemanha.

Filha de Jane Dickie, professora de balé e ex-bailarina profissional, e neta de pianista e professora de música, Aurora começou no balé aos cinco anos. Ainda criança, conheceu pessoalmente algumas bailarinas brasileiras que estavam no exterior e, a partir daí o sonho de dançar fora do Brasil foi despertado. Aos 11 anos, ficou sabendo da audição para a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil (ETBB), em Santa Catarina.

“Na hora, sabia que essa era a minha oportunidade de entrar em uma escola profissionalizante de qualidade no Brasil e ter chances de abrir portas para uma carreira no exterior”, recorda. Aurora era a mais nova da turma. A rotina era puxada. De manhã, ia à escola e, à tarde, tinha duas horas diárias de balé clássico, mais duas horas de outras aulas e ensaio. Durante os cinco anos que passou na escola, teve aulas predominantemente com professores russos, onde a disciplina e o respeito era muito cobrado.

“Foi uma experiência que fez a profissional que eu sou hoje e me deu a base para ter uma carreira internacional”, afirma. Em 2006, Aurora foi contratada como bailarina para a edição de “O Quebra Nozes” com a Cisne Negro Cia. de Dança. Foi a primeira experiência profissional remunerada como bailarina e um marco no início da sua carreira profissional. Depois da Cisne Negro, a bailarina foi contratada pela Companhia de Danças de São José dos Campos, no interior de São Paulo.

OPORTUNIDADE INTERNACIONAL

Entrou em fevereiro de 2007, e sob direção de Ricardo Scheir, dançava com os espetáculos da companhia e também ensaiava para ir para a final do Youth America Grand Prix, em Nova Iorque, em abril daquele mesmo ano. Foi exatamente nesse momento que surgiu a primeira oportunidade de carreira internacional. Na competição, Aurora ganhou medalha de bronze e foi convidada pelo diretor do The Washington Ballet na época, Septime Webre, para fazer parte da segunda companhia do Washington Ballet, uma companhia direcionada para jovens bailarinos com ainda pouca experiência profissional.

“Geralmente, as competições de balé internacionais têm essa função de reunir muitos bailarinos, estudantes, profissionais e diretores de companhias do mundo para que esses possam oferecer contratos profissionais ou bolsa de estudos para os jovens bailarinos. O Washington Ballet está entre as dez melhores companhias de dança dos EUA e, para, mim foi a oportunidade que eu estava esperando para levar minha carreira a outro nível”, conta.

Com um ano, ela foi promovida para a companhia principal do Washington Ballet. Lá, ficou um total de seis anos, com um ano e meio que voltou para o Brasil para integrar a São Paulo Companhia de Dança. Assim, foi no Washington Ballet que ganhou experiência dançando em todos os balés da companhia e tendo oportunidades de dançar papeis principais nos maiores balés de repertório, como “O Lago dos Cisnes”, “Giselle” e “O Quebra Nozes”.

NOVOS DESAFIOS NA ALEMANHA

Já em 2015, Aurora decidiu que queria novos desafios na carreira. Entrou em contato com o Staatsballett Berlin, o Ballet Estatal de Berlim, a maior companhia de dança da Alemanha e uma das suas preferidas do mundo, e perguntou sobre o processo de audição. Nem tudo foram flores. “Às vezes, para conseguir uma vaga em uma companhia de dança, não importa o quão bom se é, mas é preciso também a vaga estar disponível. Primeiramente fui informada que não era possível uma audição, depois eles me informaram que eu poderia fazer audição, pois nem todas as vagas haviam sido preenchidas”.

“Com esperança, eu fui a Berlim em fevereiro de 2015 fazer uma audição privada. O diretor da companhia, o famoso coreógrafo espanhol Nacho Duato, interessou-se muito pelo meu trabalho, mas o único contrato disponível era um temporário de oito meses para ser integrante do corpo de baile. Era um risco que eu estava correndo de mudar minha vida para a Europa com um contrato temporário, mas eu ouvi minha intuição e fui, pois, de alguma forma eu sabia que esse era o passo certo a se dar”, relata.

Em maio de 2015, Aurora se mudou para Berlim e começou a trabalhar na companhia. Depois de apenas dois meses, foi promovida a bailarina solista da companhia com um contrato fixo. “Eu amo o meu trabalho e o trabalho que é feito na companhia em Berlim. Dançamos do clássico ao contemporâneo, sempre acompanhados de orquestra ao vivo e com o teatro lotado. Também já fiz turnê para a Espanha e Itália com a companhia nesses últimos dois anos. Berlim é uma cidade energética que transpira arte em todos os cantos e essa atmosfera me anima e inspira para continuar crescendo como bailarina e pessoa”.

PROJETOS NO RECIFE  

Mesmo longe do Brasil, Aurora não esquece de suas origens. Todos os anos, em julho, vem ao Recife visitar a família e curtir a terrinha. Sempre em suas passagens, deixa algum legado na terra onde tudo começou. Esse mês, ministrou aulas em um curso gratuito de férias oferecido pelo Studio de Danças, escola onde Aurora começou a dar seus primeiros passos de balé.

E nos planos para o futuro da bailarina internacional, o Brasil e Recife estão fortemente presentes. “Eu presto atenção como a arte é valorizada e reconhecida em outros países e uma das minhas maiores vontades é poder ajudar o Brasil, e principalmente Recife, a reconhecer e incentivar a arte mais ainda. Pernambuco tem uma cultura linda. A música, as danças populares, a literatura está no nosso sangue. É preciso reconhecer e valorizar isso. Então, posso dizer que um dos meus planos para o futuro é movimentar ainda mais a parte cultural da cidade do Recife”, projeta.

Que a história de Aurora fique de inspiração para quem sonha em dar passos além. ?




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Sobre o autor
Fabiana Constantino

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