Espetáculo Encontro Oposto

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Fruto de um profundo trabalho de pesquisa do coreógrafo e bailarino pernambucano Ivaldo Mendonça, o espetáculo “Encontro Oposto – três movimentos em um ato” traz à tona a discussão sobre a descoberta e o processo de aceitação da sexualidade. Quantas experiências cabem nessa dicotomia feminino-masculino? Quantas relações homem-mulher são possíveis na sociedade contemporânea? Quanto preconceito ainda camuflamos, disfarçamos, escondemos? Quem é o nosso oposto real? Encontros e desencontros dos sujeitos contemporâneos são a tônica do discurso estético eleito pelo coreógrafo em um perfeito entrelaçamento entre gesto e tema; movimentação e informação; corpo e mente; que serão mostrados no espetáculo que ultrapassa as fronteiras do Estado com a primeira temporada nacional, graças ao incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), com exibições que começam aqui em Recife; segue pelas cidades de Votuporanga e Cedral (SP); Rio de Janeiro; Natal e Mossoró (RN); Porto Alegre e Caxias do Sul (RS), até chegar em Fortaleza e Sobral (CE), num total de 14 apresentações.

 

A primeira apresentação do espetáculo será aqui em Recife, nesta sexta e sábado (25 e 26 de abril), às 20h30, no Teatro Apolo, no bairro do Recife. Depois, o grupo segue para exibições em Votuporanga, no dia 29 e Cedral, no dia 30, ambas em São Paulo; nos dias 13 e 14 de junho, se apresentam no Sesc de Copacabana, no Rio de Janeiro; no dia 16 de agosto, o espetáculo será exibido no Encontro Nacional de Dança Contemporânea, em Natal; De lá segue para Mossoró; nos dias 5, 6 e 7 de setembro, os bailarinos se apresentam no Porto Alegre em Cena, em Porto Alegre, e depois no Caxias do Sul em Cena, no Rio Grande do Sul; até chegar às últimas apresentações na Bienal de Dança do Ceará, em Fortaleza.

Encontro Oposto apresenta o resultado poético de sua linguagem, encenado simultaneamente no corpo do próprio criador e de três intérpretes convidadas: Juliana Siqueira, Roberta Cunha e Janaina Gomes. No palco, eles desnudam essa trajetória, tão cheia de conflitos, tensões e sentimentos muitas vezes contraditórios; que encontram ressonância em qualquer realidade, pela abrangência e atualidade do assunto, comum ao universo humano, seja qual for o local de origem dos sujeitos. Em cada momento/movimento, o intérprete-criador Ivaldo Mendonça contracena com uma mulher, vivendo ao lado dela situações distintas, sensações e relações diferentes. A conjunção de uma corporeidade tão específica e de um assunto tão universal, como é a questão de gênero e sexualidade, aumentam o potencial e o alcance da mensagem desse espetáculo, passível de leituras e interpretações diversas, mas todas com um caráter extremamente crítico e reflexivo.

A montagem está dividida em três partes integradas e independentes entre si, ao mesmo tempo em que falam sobre o convívio de heterossexuais e homossexuais, durante o processo de descoberta, camuflagem, adaptação e aceitação da opção sexual de um indivíduo. E como não poderia deixar de ser, o que guia essa pesquisa de criação é a relação homem-mulher e as diversas nuances e formatos que ela pode e tem assumido na sociedade contemporânea.

Todos os elementos de composição do espetáculo seguem um viés orgânico, uma estética minimalista que pretende realçar a movimentação e a interpretação dos bailarinos. Na iluminação, optou-se por luzes mais claras e focos direcionados, revelando somente um corpo ou parte determinada dele, em consonância com a dramaturgia proposta. No figurino, roupas do cotidiano pontuam a atualidade do tema abordado. A trilha sonora original, assinada pelo músico Júlio Moraes, tomou como base fragmentos da obra da cantora francesa Camille, com a utilização de ruídos e sonorização ambiente.

Todas as cenas são extraídas de situações reais e seguem uma ordem cronológica, apesar de não haver uma relação de dependência nem uma narrativa linear entre os três movimentos. Cada parte trata de um momento, um estágio no processo de descoberta da opção sexual, evidenciando ações, reações e formas diferenciadas de relação com o sexo oposto e com a sociedade de uma maneira geral.

No primeiro movimento a metáfora do nascimento serve de recurso para o intérprete expressar o momento de descoberta da opção sexual, os conflitos entre o corpo e os desejos, o eu biológico e ou eu social-afetivo em estado de tensão constante. É como uma metamorfose, a transformação da lagarta em borboleta, representando a saída do casulo. Estão em cena todas as sensações que um homem tem quando ainda não entende o que é ser um homossexual. Um homem que percebe sua feminilidade interna ou externa, mas ainda não sabe exatamente quais são as implicações de assumir-se homossexual.

No segundo momento, a aceitação da sexualidade ainda vive na obscuridade. É uma verdade assumida apenas para o próprio indivíduo, seus parceiros e algumas poucas pessoas de sua confiança. Por isso, a coreografia está focada nesta vida dupla e em toda a complexa trama de emoções e sentimentos, muitas vezes contraditórios, dos que vivem a homossexualidade na intimidade e a heterossexualidade na sociedade. O casamento por obrigação, as máscaras sociais e por fim a aceitação e afirmação da opção sexual se libertando da repressão e dos próprios conflitos identitários.  Nessa fase, a dança ganha uma carga dramática intensa para representar a ambiguidade e a confusão, tão comuns aos sujeitos contemporâneos.

O preconceito contra o homossexual, assunto frequente nos noticiários atuais, é a tônica da terceira e última parte do espetáculo. As agressões verbais, morais e até físicas são expostos e discutidos através de uma movimentação análoga à violência, e de um sistema gestual carregado de simbolismo. Uma partitura de movimentos que prioriza a amplitude e a fluidez ajuda a transpor para a cena os episódios de luta e libertação das agressões e das imposições sociais.

Um primeiro extrato dessa pesquisa coreográfica, estudo para Encontro Oposto, com duração de 15 minutos, foi elaborado e mostrado em alguns eventos e festivais de dança em 2010: o Solo do Outro (agosto e setembro de 2010), no Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas – Apolo Hermilo; 15° Festival Internacional de Dança do Recife (Outubro de 2010) Recife/PE; Janeiro tem mais Arte (Janeiro de 2011), em Petrolina/PE. Esse exercício-espetáculo serviu de embrião criativo para uma proposta aprofundada de investigação, que resultou na montagem dessa “trilogia em ato único”, Encontro Oposto.

SOBRE IVALDO MENDONÇA:

Dono de um processo aprofundado de pesquisa que visa consolidar sua assinatura coreográfica, Ivaldo Mendonça, tem se destacado como intérprete-criador e coreógrafo independente. Depois de integrar a Cia. dos Homens (PE), a Cia Deborah Colker (RJ) e a Diadema Cia de Danças (SP), entre outros, o bailarino tem recebido convites para conceber, montar e/ou dirigir espetáculos de diversas companhias e projetos de dança contemporânea de Pernambuco e de todo o Nordeste. No Recife, coreografou para a Incógnum; a Trupp Cia de Dança; a Vias da Dança; a Compassos Cia de Dança; alcançando sempre sucesso de público e crítica com suas obras. Durante todos esses anos, foi construindo uma linguagem corporal muito particular, experimentando essa movimentação autoral também em pequenos solos criados para ele mesmo. Em 2012, viajou para Inglaterra a convite de Emma Dunn, integrante do Conselho Artístico Britânico para criação de coreografia para o momento da passagem da tocha olímpica na cidade de Anlwick, como também para a montagem do espetáculo Northumbriana, apresentado na mesma cidade com o grupo Dansformation.

FICHA TÉCNICA:

Concepção e direção: Ivaldo Mendonça

Criação e coreografia: Ivaldo Mendonça

Bailarinos: Ivaldo Mendonça, Janaina Gomes, Juliana Siqueira e Roberta Cunha

Trilha sonora original: Júlio Moraes

Criação e operação de luz: Luciana Raposo

Figurino: Maria Agrelli

Confecção de figurino: Xuxu

Fotos: Rogério Alves

Produção: Clarisse Fraga

Assistente de produção: Luciane Bacelar

 

SERVIÇO: 

O que: Espetáculo Encontro Oposto

Quando: Dias 25 e 26 de abril

Onde: Teatro Apolo, no Bairro do Recife

Horário: 20h30

Ingressos: 10,00 (inteira) e 5,00 (meia)

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Sobre o autor
Maíra Passos

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