Bailarina Elis Costa aborda transmutação humana em tempos adversos na videodança “Plantando Voo”
  • Plantado Voo | FOTO: Alexandre Salomão
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Performance ficará disponível no canal do Youtube da artista, a partir desta quinta

O vazio dos palcos, o silêncio e a necessária ausência de público em tempos de morte-vida orquestrados por um desgoverno, quando o isolamento social ainda é a principal arma da população em combate à codid-19, são realidades que têm movido o setor cultural na criação de alternativas de sobrevivência para fazer-se viva a conexão entre obra artística e plateia, agora virtual. É a partir do pisar em campos desabitados, sentindo-se entre profundas lacunas e ainda sem direção, que o corpo é tomado por uma ânsia enorme de transformação.

Imersa nessas sensações singulares e também coletivas impostas pela pandemia, Elis Costa, artista da Dança, do Teatro e do Audiovisual com 28 anos de trajetória nas artes, também pesquisadora dos Direitos Humanos, iniciou um estudo em formato de performance sobre a capacidade humana de transfigurar, transcender e cocriar novas possibilidades de mundos.

O desdobramento dessa inquietação interna da artista resultou na videodança “Plantando Voo”, que tem idealização, direção, dança e produção da própria Elis Costa, e os saberes de Liana Gesteira, Alexandre Salomão, Yanna Luz, Flepa, Thiago Liberdade, Zé Diniz, Ailce Moreira e Jairzinho. A videodança será lançada no Dia Internacional da Dança, próximo 29 de abril (quinta-feira), às 19h, no canal do Youtube da artista. A duração é de 7 minutos e a classificação é livre. Confiram:

Elis Costa, que teve seu projeto tem incentivo pela Lei Aldir Blanc (PE), foi desenhando a dramaturgia dos movimentos do corpo que antecedem o voo a partir da sua participação na performance de longa duração chamada “COVID-A: um segundo de dança por cada vida interrompida”, a qual reuniu 30 artistas de cinco estados brasileiros nos primeiros meses da pandemia, em agosto de 2020, com transmissão via streaming. Nessa ação coletiva idealizada por Valéria Vicente, a artista desenvolveu e apresentou o experimento inédito “Estudando o voo”, atravessada por todos os sentimentos que eclodiram ao longo do isolamento social.

Aprofundando essa pesquisa iniciada no ano passado e investigando outras metodologias de composição, Elis Costa reuniu uma equipe de profissionais da Dança e do Cinema para desenvolver uma performance pensada exclusivamente para a tela, onde todos os elementos do audiovisual se movem junto com a artista, seja o enquadramento, a iluminação, a fotografia, o desenho sonoro, a profundidade de campo, a câmera, a edição, o figurino, a montagem, tudo está em contínuo movimento.

A videodança “Plantando Voo” marca uma significativa transformação na trajetória artística de Elis, sendo o seu primeiro trabalho criativo autoral. Como a própria artista descreve, a obra nasce de uma proposta historiográfica de si em tempos de catástrofe e de reinvenção da esperança afetiva e corporificada. De forma simultânea e internalizada nos moveres, quatro posturas, ou quatro forças, permeiam a videodança: sentir a queda, mover o que impede de arremeter, construir ou reconhecer habilidades para sustentar-se e permanecer em deslocamento.

“Havia uma ideia de elaboração do luto, que é humano e necessário para a continuidade da vida. Para mim era muito forte a coisa do voo, as emoções, as metáforas que nós como humanos atribuímos ao ato de voar, como uma realização do supostamente impossível. Quando falo em realização penso na capacidade de continuar viva, de não morrer vítima desse genocídio. Penso nas florestas, nas águas, nos territórios. A partir do meu olhar para tudo isso que estamos vivendo, eu comecei a investigar os meus movimentos, a mergulhar para dentro de mim mesma”, explica Elis.

SOBRE ELIS COSTA

É artista da Dança, do Teatro, do Audiovisual, historiadora, pesquisadora, arte-educadora e produtora cultural. Licenciada em História (UPE) e em Artes Cênicas (UFPE), especialista em Dança pela Faculdade Angel Vianna e mestra em Direitos Humanos (UFPE). Como intérprete-criadora viveu grande parte de sua carreira dentro de companhias de dança da cidade do Recife, tendo participado de vários espetáculos, coreografias, performances, filmes, intervenções, vídeos, audiodanças e videodanças.

Dançou e ministrou oficinas e cursos por Pernambuco e demais estados do território nacional, além de países como Portugal, Chile, Paraguai, Uruguai e Argentina. Desde 2012 integra a equipe do coletivo Acervo RecorDança, onde atua como pesquisadora, desenvolvendo projetos de salvaguarda da memória da dança no estado, como exposições, ações pedagógicas e educativas, publicações, documentários, grupos de estudos e podcasts.

Desenvolveu o projeto “O mais que humano em nós”, nascido e executado em tempo de isolamento social pelas mídias sociais, onde transversaliza temas da dança e dos direitos humanos em uma série de lives com convidades. É produtora cultural e como tal tem atuado em instituições, mostras, festivais, projetos e eventos. Com 28 anos de percurso nas artes, somente em 2020 inicia a um trabalho criativo autoral, durante a pandemia do COVID-19 no Brasil.

FICHA TÉCNICA

Idealização, direção, dança e produção: Elis Costa
Dramaturgia: Liana Gesteira
Direção de fotografia, montagem, desenho de som e trilha sonora: Alexandre Salomão
Direção de arte e figurino: Yanna Luz
Maquiagem: Flepa
Design gráfico: Thiago Liberdade
Efeitos visuais e making off: Zé Diniz
Coordenação de pós-produção: Alexandre Salomão e Zé Diniz
Assistência de produção: Ailce Moreira e Jairzinho
Assistência de fotografia e som direto: Zé Diniz
Assistência de arte e figurino: Flepa
Assistência de maquiagem: Yanna Luz
Audiodescrição: VouSer Acessibilidade
Roteiro de audiodescrição: Andreza Nóbrega
Locução de audiodescrição: Elis Costa
Consultoria de audiodescrição: Milton Carvalho
Contabilidade: Paulo Ferreira
Costura: Fátima Magalhães
Transporte: João Francisco
Alimentação: Habitat Cozinha
Assessoria de imprensa: Andréa Almeida




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Maíra Passos

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