Espetáculo de flamenco inspirado na poesia de João Cabral de Melo Neto
  • A Palo Seco, Cia. Karina Leiro | FOTO: Lane Hans
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A Palo Seco, da Cia. Karina Leiro, que une a Espanha ao sertão pernambucano, será no dia 15/11, no Teatro Luiz Mendonça 

Estreitar os laços culturais e afetivos entre Pernambuco e a região espanhola da Andaluzia é a proposta do espetáculo de flamenco A Palo Seco. Inspirada no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto, a apresentação ocorre no próximo dia 15, às 19h, no Teatro Luiz Mendonça, Parque Dona Lindu.

Realizado pela Cia. de Flamenco Karina Leiro, A Palo Seco une dança e teatro para contar, em sete cenas (O canto a palo seco; Rezas; Milho; Arrecifes; Aborto; Flor do Sertão e Lágrimas do Sertão), o drama de sete mulheres e um homem na imensidão das terras sertanejas durante os anos 30. “A temática é a relação familiar. Brigas, amores, apegos e desapegos, sonhos e frustrações”, explica um dos diretores gerais do espetáculo, Emmanuel Matheus, que também assina roteiro e concepção cenográfica.

Na visão da diretora e coreógrafa, Karina Leiro, A Palo Seco oferece ao público a oportunidade de vivenciar a música e a dança flamencas num ambiente de hibridismo cultural em que o sul da Espanha e o sertão pernambucano dialogam em sonoridades e poesia. “Com todo respeito às tradições flamencas e sendo eu mesma filha de pai e mãe espanhóis, temos buscado a nossa identidade como companhia de nordestinos que fazem flamenco, pensando nossos corpos perpassados pela cultura local e como isso se comunica com a cultura e a técnica do flamenco”, explica.

A Palo Seco é encenado com música ao vivo, tendo Mek Natividade no cajón e percussão, Lucas Almeida no violoncelo e guitarra flamenca e Diego Zarcon no cante. A direção musical é de Eduardo Bertussi, também à frente da guitarra flamenca. Durante pouco mais de uma hora, serão apresentados seis palos, como são chamados os diferentes bailes flamencos: Martinete, Seguiriya, Sevillanas, Soleá, Tientos e Tanguillos (descrições no fim do texto).

“Um espetáculo flamenco é formado pelo cante, pelo baile e pelo toque flamencos. A forma como esses elementos se combinam, em distintos compassos, é que faz com que os palos se caracterizem de maneiras particulares”, explica a produtora e bailaora Rose Hans. “No flamenco, o corpo reage ao som do toque ou à letra do cante, que personifica os amores, as alegrias, a dor, o abandono, a solidão, o desejo…”, completa a professora Rafaela Wanderley, vencedora do prêmio Bailarina Revelação 2016 do Janeiro de Grandes Espetáculos.

Em A Palo Seco, todos os bailaores em cena também são personagens que encarnam mulheres e homens sertanejos. Dessa forma, o ator Adriano Cabral vive Carcará, enquanto Karina Leiro interpreta a Mãe de Todas; Rose Hans é Carmem e Dani Albuquerque incorpora Rita; Já Rafaela Wanderley dá vida à Flora; Fernanda Paulino é Rute, Juliana Fernandes vive Marta e Helena Thomé é Maria.

E antes do espetáculo, alunos da Cia Karina Leiro Studio abrem a noite com a apresentação da mostra Flamencura, que inclui os palos Tangos de Málaga, Farruca, Tangos de Granada, Sevillanas (uma delas com castanhola) e Alegrías. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda antecipadamente na sede da companhia (rua João de Barros, 1311, Galeria Sales, Loja 4) e na bilheteria do teatro, no dia. Mais informações: (81) 98611.2595.




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Maíra Passos

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