Videodança aborda agressões sofridas pelo corpo-mulher e corpo-Terra
  • Entranhas Marcas | FOTO: Hugo Dubeux
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Chamada de “Entranhas Marcas”, a obra audiovisual é interpretada pelas artistas Drica Ayub, Isabela Severi e Silvia Góes

A videodança “Entranhas Marcas” traz as marcas da violência incitada pelo sistema patriarcal e colonial que historicamente silencia, invisibiliza, fragmenta e poda o movimento das mulheres em suas mais intrínsecas relações sociais, políticas e afetivas.

Com 18 minutos de duração, a obra audiovisual foi concebida e interpretada pelas artistas de dança Drica Ayub, Isabela Severi e Silvia Góes, direção de fotografia/filmagem de Flora Negri e trilha de Conrado Falbo, tendo sua execução viabilizada com recursos da Lei Aldir Blanc/PE.

Nas cenas, a relação do corpo-mulher como reflexo das agressões também impressas na Mãe Terra, nas fontes naturais cada vez mais escassas pelas ações desse mesmo sistema capitalista que destrói, explora e chancela o desequilíbrio ambiental. Segundo as artistas, a performance é um desabafo, para a construção de novas possibilidades de mundos que entrelacem a existência humana.

“Há tempos, vivemos uma conjuntura extremamente violenta, principalmente para nós mulheres, que muito se acentua com a pandemia e o contexto político. A cultura machista com sua lógica hegemônica e homogeneizante, nos rasga muitas cicatrizes que são riscadas nos corpos físico, emocional, mental e também espiritual”, contextualiza Drica Ayub.

Já Isabela Severi lembra que, “assim como nossos corpos, a Terra sofre há centenas de anos a agressão humana registrada em escaras profundas em sua paisagem e dinâmica. É verdade que nossas marcas nos compõem, porém a ameaça à vida pode estagnar o seu fluxo e nos congelar; paralisar o que necessita de movimento para seguir e evoluir”.

E Silvia Góes completa “mesmo isoladas, é urgente penetrarmos a essência criadora e potente que em nós habita a partir do movimento inerente da alma-corpo, restaurar o fluxo natural da vida para sermos capazes de sonharmos e criarmos futuros melhores e mais bonitos”.

Além de mergulharem em estudos sobre o tema do trauma e das agressões humanas à Terra, as artistas explicam que desenvolveram a dramaturgia a partir de um mergulho para dentro de si mesmas, quando se dispuseram a imergir, sentir e acessar as suas entranhadas marcas, assim como também na troca de experiências e na escuta de narrativas de amigas e alunas que relataram suas dores traumáticas.

As sessões de investigação e criação da videodança aconteceram ainda paralelamente a um outro projeto de pesquisa que reunia, pela plataforma Zoom, um grupo de mulheres diversas. O “Ciclo Investigativo: das cicatrizes às insurgências” foi um convite para investigar e cartografar as marcas do corpo-mulher por meio de práticas terapêuticas e de movimentos provocados pelas artistas.

GRAVAÇÕES – Com direção de fotografia de Flora Negri, as gravações aconteceram no Engenho Pombal, situado no município de Vitória de Santo Antão, Zona da Mata de Pernambuco, e também na Praia de Xaréu, Cabo de Santo Agostinho, no Litoral Sul do Estado.

FICHA TÉCNICA

Duração: 18 minutos
Concepção: Drica Ayub, Isabela Severi e Sílvia Góes
Intérpretes-criadoras: Drica Ayub, Isabela Severi e Sílvia Góes
Pesquisa: Drica Ayub, Isabela Severi, Silvia Góes e Conrado Falbo
Produção: Drica Ayub e Isabela Severi
Direção de fotografia e filmagem: Flora Negri
Edição e montagem: Victor Germano
Trilha sonora: Conrado Falbo
Arte gráfica: Nathalia Queiroz
Assistentes de produção: Hugo Dubeux e Murilo Correia
Classificação indicativa: 18 anos (contém nudez)

Entranhas Marcas.mp4 from entranhas marcas on Vimeo.




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Maíra Passos

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