Já usou financiamento coletivo em dança? Entenda o que é crowdfunding
  • Projetos de dança podem ser viabilizados com dinheiro doado coletivamente | FOTO: Pixabay
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  • Projetos de dança podem ser viabilizados com dinheiro doado coletivamente | FOTO: Pixabay
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Confira dicas sobre método que ajuda a colocar projetos em cena. E conheça o Matchfunding, do BNDES, que triplica o valor arrecado   

Crowdfunding é uma estratégia de captação de recurso ou arrecadação de capital para investir em uma iniciativa pré-definida, com prazo determinado. Pegando pelo significado da palavra, financiamento pela multidão, quando diversas pessoas resolvem contribuir para que determinado objetivo financeiro seja alcançado. O financiamento coletivo (ou crowdfunding, em inglês) vem ganhando espaço na preferência daqueles que precisam arrecadar dinheiro para um determinado projeto, nas mais diversas áreas, como na de dança.

Mas como funciona o crowdfunding? O analista do Sebrae em Pernambuco André Lira explica: “basicamente, funciona com a apresentação de uma iniciativa de valor definido ao público consumidor, com o intuito de mobilizá-lo para que participem da viabilização ou realização da ideia investindo capital referente a cotas, que somadas compõem o valor total da proposta. Em relação ao valor investido, os investidores podem receber benefícios e/ou recompensas relacionadas a cada cota vinculada ao objeto da iniciativa apresentada; ou antecipar a compra do objeto do financiamento; ou ainda participar de um financiamento pelo seu propósito”, afirma.

Uma das principais vantagens relatadas pelo que recorrem a esse método é a agilidade e rapidez, sem precisar passar por processos burocráticos que outros modelos de financiamento exigem. Além disso, a autonomia é citada por André Lira como outro ponto positivo. “A principal vantagem é a autonomia do uso do capital obtido, seguida da transparência na relação com o público e a possibilidade de viralizar e difundir o produto antes mesmo dele estar finalizado”.

A facilidade no método de captação foi um dos motivos que levou o Grupo Gesttus Grupo de Dança a utilizar o recurso. “A ideia surgiu a partir do momento em que fomos selecionados para um Festival TanzOlymp, em Berlim, e precisávamos custear passagem, hospedagem e taxa de participação. Nós observamos outros grupos fazendo e vimos que tinha um bom retorno”, conta Larrisa Porto, diretora do grupo. “A plataforma utilizada para arrecadação foi a Vakinha online e o valor arrecadado ajudou bastante em todos os custos que precisavam ser pagos”, lembra.

Investimento em um negócio, relevância do projeto e contrapartida

O ato de pedir dinheiro, seja por meio da internet ou na vida real, tem uma rejeição tanto por quem pede como por quem é solicitado. No caso do financiamento coletivo, especialistas afirmam que o que deve estar em mente é a palavra investimento. “O principal ponto é que não se trata de pedir dinheiro e sim de estabelecer uma relação de investimento em um negócio”, diz o analista do Sebrae André Lira sobre o crowdfunding.

“É fundamental, ao tratarmos de produtos culturais, entendermos todo o processo com o olhar empreendedor, autônomo e sustentável. Deste modo, ao construirmos uma campanha de financiamento coletivo já estaremos em movimento empreendedor. Para tanto é necessário a clareza sobre o que está sendo sugerido, para quem se destina a campanha, os prazos, a gestão da operação e o papel de cada pessoa envolvida”, reitera André.

Sobre a relevância do projeto, o especialista explica que ela se dará quando o projeto se justifica. Isso quer dizer que o projeto precisa entregar algo que de fato mobilize a comunidade a qual se destina, com propósito claro, atendendo demandas existentes e, principalmente, prezando por inovação e qualidade.

Foi essa mobilização e relevância que contribuíram para o sucesso da campanha do Grupo Gesttus. “Um bom atrativo foi que as pessoas entenderam e valorizaram a importância de levar nossa cultura, o frevo, para um festival com aquela dimensão”, diz Larissa Porto, que revela que a campanha de divulgação foi feita através das redes sociais do Grupo e dos bailarinos.

Além da relevância do projeto, em muitos casos é oferecida uma contrapartida ou recompensa para aqueles que contribuem. André exemplifica: “a questão das contrapartidas requer uma análise caso a caso devido a diversidade de tipos e finalidades de propostas possíveis, sendo que cada uma delas possuirá suas particularidades”.

Por exemplo, no caso de um espetáculo de dança, pode-se pensar em uma pré-estreia com ingressos mais acessíveis, debates abertos ao público com o elenco. Ou seja, ações que irão difundir mais a obras e gerar maior valor sobre seu produto cultural.

Dicas para realizar um crowdfunding de sucesso

O crowdfunding tem vantagens que já foram aqui citadas, mas caso o proponente não tenha feito um planejamento adequado para realização da campanha, o financiamento colaborativo poderá implicar na dificuldade de entrega dos benefícios e recompensas, bem como, o produto do financiamento coletivo. Isso pode acarretar em uma série de problemas como a simples insatisfação dos investidores, como até alguma ação judicial.

Para evitar contratempos e para realizar uma eficiente campanha de financiamento coletivo, a principal dica é planejar e gerir todo o processo com muita atenção. O especialista André Lira, do Sebrae em Pernambuco, elenca outros cuidados:

  • Pensar a campanha como uma ação de comunicação para venda da ideia que se propõem;
  • Não solicitar valores altos demais numa só campanha;
  • Estudar sobre o assunto;
  • Analisar campanhas exitosas e as que não arrecadaram, e avaliar os pontos das duas;
  • Analisar campanhas similares a sua;
  • Ter domínio sobre o que será proposto e avaliar o quanto é uma demanda coletiva;
  • Conhecer o público para o qual irá destinar a campanha: uma estratégia que pode ajudar a alavancar a campanha é focar primeiro no público mais próximo possível (familiares e amigos), em seguida no público que se tem conhecimento (fãs, adeptos), por fim no público em geral. Pode ser feito ao mesmo tempo com os três públicos, mas é necessário preparar a abordagem certa para todos eles

MACHTFUNDING 

Pensando especificamente em projetos culturais, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) lançou o Matchfunding BNDES, que adota um tipo de financiamento combinado, unindo o aporte direto do BNDES ao financiamento coletivo (crowdfunding).

A cada R$ 1 doado, o BNDES aporta R$ 2, observando o valor máximo de R$ 300 mil para cada projeto. Para receber os recursos efetivamente, as iniciativas deverão atingir suas metas de arrecadação, que serão informadas ao público. Além disso, só serão apoiadas as ações que apresentarem um determinado índice mínimo de pulverização de recursos. A ideia, com isso, é que sejam efetivamente realizadas as ações que contem com amplo engajamento do público.

A expectativa é que a iniciativa apoie até 80 projetos selecionados ao longo de 2019 e 2020 por meio de edital. Durante a etapa de convocação, os interessados poderão receber treinamento online sobre crowdfunding. A cada ano ocorrerão cinco ondas de seleção com a expectativa de oito projetos selecionados em cada uma.

Os responsáveis pelos projetos escolhidos receberão treinamento mais aprofundado com foco nas campanhas de arrecadação de forma que consigam captar os recursos necessários à execução das propostas. Após passar por essa fase, os projetos serão apresentados na plataforma do programa para que o público possa conhecê-los e efetuar doações àqueles que acharem mais interessantes. Mais informações no site do BNDES.

PLATAFORMAS DE CROWDFUNDIG 

Na Ponta do PÉ selecionou algumas das principais plataformas de crowdfunding que abrangem a área cultural para você fazer sua arrecadação online. Mas atenção! Algumas tem taxas para pagar (ou percentual descontado no valor incentivado) e impostos. Tem também plataformas que só funcionam com o tudo ou nada. Significa que você precisa arrecadar todo o valor estipulado na meta para receber o incentivo.

Caso não consiga, não é possível fazer o resgate do valor doado e o mesmo é estornado para quem contribuiu. Já outros sites permitem que você receba qualquer valor que foi doado, mesmo que não tenha atingido a meta estipulada. Após verificar qual a melhor solução para o seu projeto, quem sabe não consiga coloca-lo em cena com o crowdfunding? 📝💃 Fica a dica!

  • Catarse
  • Vakinha
  • Kickante
  • Indiegogo
  • Benfeitoria
  • Macthfunding BNDES

    Texto: Fabiana Almeida
    Edição: Maíra Passos

    Ver perfil Na Ponta do PÉ

* Publicação original postada em 14/08/19




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Fabiana Almeida

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