Lembra o funk, mas é twerk! Saiba mais sobre esse estilo de dança urbana
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  • Briê Santos | FOTO: Divulgação
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Tendo como destaque movimentos de glúteos, a dança que trabalha também a autoestima e consciência corporal  

Sensualidade, liberdade corporal e movimento com os glúteos. Essas são algumas características do twerk, estilo de dança, que, segundo alguns estudos, surgiu em clubes de strip-tease, nos Estados Unidos, mais especificamente em New Orleans. Também há fontes que indicam a influência de danças tribais africanas como o “mapouka”. A dança começou a ganhar popularização na década de 90, através de vertentes da música hip hop e vídeo clipes de artistas norteamericanos, como Miley Cyrus e Rihanna, por exemplo.

No Brasil, a dança não é ainda tão conhecida, mas aos poucos vem ganhando notoriedade e adeptas, até pela semelhança com o nosso funk brasileiro, cheio de rebolados e com foco nos movimentos com os glúteos (ou seja, que coloca a bunda pra mexer!). No Recife, um grupo pioneiro na cidade, o Twerk Recife, surgiu em 2018 com o objetivo inicial de ser um grupo de estudos. Com o tempo e interesse das mulheres, aulas da dança foram oferecidas e hoje o grupo oferece aulas regulares no Carvalho Studio de Dança, na Boa Vista, e já conta com mais de 50 alunas.

Além disso, produções artísticas e gravações de clipes são realizados. “De fato o twerk já é bem difundido em outros países, não só os Estados Unidos como na Rússia também, por exemplo. Aqui no Brasil, a gente tem muita mulher que trabalha com o twerk, mas ainda não é muito famosa no país . Produzir eventos que possam proporcionar intercâmbios e conversas sobre a dança é bem válido, além de produção de vídeos profissionais de coreografias dando ênfase ao movimento do twerk faria com que chamasse a atenção do público”, opina a professora e idealizadora da Twerk Recife, Briê Santos.

Características e passos do twerk

Quem vê pela primeira vez uma apresentação de twerk, talvez note similaridades com o funk. De fato, algumas características são parecidas, mas a professora faz ressalvas. “O contexto social onde é criada cada dança é bem peculiar, sem correlações. O twerk é uma dança norte americana e tem influências da cultura que era envolvida lá em New Orleans, que no caso era cultura de hip hop, strippers”.

No Brasil, já estava acontecendo outro movimento do funk, em outra época. Então, não tem uma correlação aos movimentos sociais, mas as similaridades de movimentos com a pelve são grandes e carregam influências da cultura afro. “Ou seja, os protagonistas que eram da dança do twerk eram negros, no começo. Aqui, o funk começou a ser dançado por mulheres de comunidades periféricas, que já têm um domínio pélvico enfatizado pela própria cultura afro americana que temos”, explica Briê.

Segundo a professora, a diferença que a gente pode notar, mesmo com todas essas semelhanças, é que o funk utiliza muito do deslocamento do osso pélvico para fazer a dança. Já o twerk utiliza mais do movimento do glúteo, ou seja, não tem tanto foco no osso. Então, o que vai caracterizar a diferença é exatamante a movimentação. “No twerk, você vai ver mais o glúteo, coordenação motora envolvendo os músculos do glúteo. Já no funk, você vai ver as meninas com quadril mais solto, ou seja, toda a movimentação vai ser mais dicotomizada em fluidos partidos”, esclare.

Ainda de acordo com Briê, o twerk é considerada uma dança que vem de uma categoria que tem uma relação muito direta do hip hop. Inclusive, muitos movimentos do twerk que usam de força e resistência no chão, tem muita influência de outra dança urbana que é o break, estilo que usa muito de foot work, com muita força e resistência nos braços para ser executado os movimentos. Assim, o o twerk tem muito giro no chão, por exemplo. E, por ser uma dança urbana, o twerk faz uso de batalhas, onde interação, criatividade e improviso são requisitos para uma boa apresentação.

Vestimenta e liberdade corporal

A autoestima e consciência sobre o corpo são características muito difundidas e defendidas pelo twerk. As mulheres que dançam esse estilo tendem a se enxergar melhor, a dar valor ao seu corpo, se empoderar. “O twerk tem um envolvimento grande de trabalhar com a estética corporal da mulher, que é uma problemática muito grande na sociedade que a gente vive. Então, o twerk vem exatamente para quebrar com questões do tipo que a mulher, quando ela tenta ser sensual, quando ela usa roupa curta ou qualquer coisa do tipo, pode ser considerado perverso”, esclarece Briê Santos.

A professora conta que geralmente as meninas dançam twerk de calcinha, de short curto, de legs, mas não é uma obrigação. “Nas minhas aulas eu deixo sempre as meninas muito livres para usarem o que elas quiserem, ou seja, se elas quiserem dançar de vestido, short, bermuda, o que elas quiserem, contanto que elas se sintam confortáveis para fazer o movimento e sentir a evolução do corpo dela a partir dos exercícios que são passados em aula”.

“Com o tempo, com as influências das próprias alunas que já estão usando calcinha dentro da aula, shorts mais curtos, que já tem a consciência sobre seu corpo, sobre a liberação da estética, sobre vários processos que envolvem o corpo da mulher, as meninas que chegam acanhadas em relação ao seu corpo e em relação a se ver nesse lugar, em usar uma calcinha e sensualizar pra si, já vão mudando sua perspectiva e se sentindo a vontade, porque exatamente as mulheres que estão naquele local se sentem a vontade para fazer isso e se sentem respeitadas”, relata a professora de twerk.

Ela conta que, automaticamente, você vai ver muitas meninas mudando a vestimenta chegando de short, dançando de calcinha. “É uma questão de escolha mesmo, que a mulher pode escolher se adaptar ou não, vai depender de como ela se sente em relação a sua consciência corporal. O twerk traz essa sensualidade a favor da mulher e coloca seu corpo como principal foco, como principal objetivo da dança e da sua própria autoestima”, completa.

Ou seja, quando a aluna começa a dançar, sensualizar e trabalhar com a parte pélvica, que é uma parte muito sensível do corpo humano, ela começa a se sentir melhor com seu próprio corpo, a se enxergar. “A pessoa começa a descobrir coisas e possibilidades que a partir do que a gente vive na sociedade era proibido para ela. Então, tem mais essas questões envolvidas com o próprio se ver e sua estética feminina”, conclui Briê Santos.

* Publicação original de 15/01/20.




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Fabiana Almeida

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