Durante a quarentena, cuidados ao se exercitar e dançar por conta própria
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Confira dicas para continuar dançando e se mexendo durante o isolamento, mas evitando lesões

Segundo dados da universidade norte-americana Johns Hopkins, já são mais de 245 mil pessoas infectadas com o novo coronavírus e 10 mil mortes, no mundo, até o momento. No Brasil, ultrapassa 600 o número de pessoas com a Covid-19. Assim, durante esta pandemia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) vem recomendando evitar sair de casa para controlar a proliferação da doença.

Com o mundo em quarentena, profissionais de saúde alertam para a importância de se mexer, mesmo em casa, pois a atividade física ajuda a aumentar a imunidade e combater o estresse. A recomendação para a população geral envolve, por semana, “pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica com intensidade moderada e mais duas sessões de exercícios de força”, de acordo com o professor e coordenador do núcleo de pós-graduação em educação física da Faculdade IDE, Raphael Ritti.

Mas é preciso ficar atento a alguns cuidados na hora de se exercitar e dançar por conta própria para evitar se machucar. Até porque o excesso de exercício pode ter um efeito contrário, oxidando o corpo e diminuindo a imunidade. Também devemos nos cuidar para evitar ao máximo ter que procurar um atendimento médico, devido sobrecarga nos hospitais durante esta pandemia. E, já pensou ter uma grave lesão agora e, após passar a quarentena, ter que ficar mais tempo ainda sem poder dançar?

Então, vamos nos mexer, sim, mas com cautela e reconhecendo os limites do nosso corpo. Para a bailarina e professora de dança Viviane Moraes, que também é profissional de educação física e mestre em saúde da criança do adolescente, estando dentro de casa, impossibilitado de sair, o ideal é se movimentar sempre que possível, como caminhar, sentar, agachar e realizar exercícios funcionais no dia a dia mesmo.

“Para quem já é fisicamente ativo, já praticava uma atividade física previamente, é possível ter um momento no dia direcionado para a prática da atividade, desde que seja uma atividade que seu corpo já conhece. O planejamento desas atividades, mesmo em turmas coletivas deve ser direcionado para os objetivos de cada indivíduo”, alerta Viviane.

Ela lembra que, em sala de aula presencial, o professor observa e conhece o limite de cada aluno, planeja a atividade com progressão e sobrecarga direcionada a necessidade de cada aluno. “Já ao realizar um treino em casa, sem acompanhamento, isso não acontece, ficando o aluno mais vulnerável a lesões e acidentes”, explica a professora de dança no Allegro Ballet, em Olinda (PE), e em cursos de graduações e especializações em dança, como integra o corpo docente da nova pós-graduação em ensino do balé clássico, da Faculdade IDE.

VÍDEO AULA DE DANÇA: QUANDO É INTERESSANTE?

Na matéria que publicamos na última segunda feira sobre aulas de dança em tempos de coronavírus, uma das nossas sugestões foi “professor de dança, que tal gravar um vídeo aula com aqueles comentários que nem sempre dá tempo de fazer na aula?”. A comunicação online vem ajudando muito nesta nossa fase de isolamento. Ainda assim, é preciso ter cautela em que conteúdo você está consumindo, como realizar um exercício que você nunca viu.

“O ideal é a pessoa seguir um programa que já está costumado a realizar e não acompanhar uma aula online que o nível seja mais elevado ao dele ou que precise de uma técnica mais apurada”, diz a professora de dança Viviane Moraes. É preciso entender o limite do seu corpo, ter uma boa consciência corporal e um tempo de trabalho (dançando, no caso) para conhecer seus limites.

Se for o caso de seguir um vídeo aula que está sendo difundido coletivamente, é saber até que ponto aqueles movimentos são do nível que posso alcançar. “O que não é recomendado é uma pessoa que está sem fazer exercício pegar uma aula aleatória e começar a executar como bailarino profissional, por exemplo. Também não indico as pessoas aderirem a desafios difundidos em massa. Porque tem gente que pode não entender os seus limites e acabar se machucando”, observa Viviane.

A sugestão para os bailarinos (e que serve para qualquer atividade), é procurar diretamente o profissional de dança e/ou educação física que lhe acompanha para orientar nos exercícios. “Esses profissionais também estão em casa e podem realizar um planejamento de atividades para executar com seus alunos. É perfeitamente possível continuar esse treinamento à distância, desde que esse profissional acompanhe e oriente, seja através de vídeo ou prescrição de atividades”, esclarece a professora de dança Viviane Moraes.

MANUTENÇÃO DA CAPACIDADE FÍSICA

Nesta fase de confinamento, o interessante é investir na manutenção das capacidades físicas que o indivíduo já tem, de acordo com a professora de dança Viviane Moraes. Isso quer dizer: não é um momento de pensar nos “ganhos”, como aumentar a flexibilidade ou força. Sem acompanhamento, progredir numa atividade, carga ou treino é arriscado.

“Então, minha sugestão é que as pessoas entrem em contato com o profissional que o acompanha, com seus professores. Eles vão pensar em atividades direcionadas para turmas que eles já conhecem, voltando para manutenção da atividade física e evitando o sedentarismo, à medida que vamos ficando mais tempo dentro de casa. Mas não na perspectiva de elevar o nível técnico ou ganhar uma capacidade física especifica”, explica Viviane.

DANÇANDO (E BRINCANDO) COM AS CRIANÇAS

Crianças também devem se movimentar durante este período de quarenta. Assim como os adultos, este momento mais em casa pode ser favorável para passar mais horas “maratonando”, sem sair do sofá. Para a professora de dança e mestre em saúde da criança e do adolescente, uma dica é estimular com as crianças qualidades artísticas. “No caso do movimento corporal, estimular sempre as brincadeiras, de modo que elas se movam de uma forma mais natural”, diz Viviane Moraes.

“O professor de dança pode até propor atividades para fazer em casa, passar para os pais o que a criança aprende na aula de balé e criando o cronograma de exercícios, mas sempre voltados para brincadeira e não para execução de uma técnica específica”, conta. Isso porque a criança ainda não tem muita consciência dos seus limites corporais. A criança precisa se movimentar, independente da dança ou não, mas sem sobrecargas.

O importante é não ficar parado!

Ficar em quarentena não é tão fácil assim. Mas vamos tentar não ter preguiça e se levantar do sofá! Seja andando dentro de casa, subindo escadas, pulando corda e, claro, dançando! Deixar a playlist rolando e dançar sem notar o tempo passar pode ser o melhor remédio para curar o tédio. Quem sabe até não saiam boas coreografias desse momento? Vamos seguir dançando! 💃

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Maíra Passos

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